Conheça a Amazônia !

Bem-Vindo à Amazônia

“A Amazônia, um mar de florestas num oceano de água doce, como bem notou Avé-Lallemant em seu livro Rio Amazonas, já em 1859, não é uma região homogênea como pode parecer do alto, durante o sobrevôo. A região é um caos de ilhas, um mosaico fluido de pequenos igarapés, rios colossais, pequenos lagos que brincam de esconde-esconde, lagos maiores que resistem ao desaparecimento na seca, águas de todas as cores, árvores de todos tamanhos, peixes de todas as formas, e um mundo sem fim oculto aos nossos olhos. Parece monótona a região para os menos atentos, mas não: ela é dinâmica - não apresenta nenhum dia igual ao outro. O sobe e desce das águas, o silêncio ensurdecedor que em algumas áreas recria sons esquecidos, o cair das árvores, o pôr-do-sol, o vento, a friagem, a chuva, a ilha que se move, as migrações dos homens e dos bichos, o abraço-da-morte, o peixe que” anda “ de um lago para outro, o peixe que morre afogado!, o tubarão que confunde o tipo de água, mas não sua imensidão, criam, a cada dia, um desenho novo para esse Eldorado que urge conhecer e está a demandar todo o cuidado da ciência.” (Adalberto Luis Val).”

 

 

 

 

 

Português, Brasil

Caboclo do Amazonas

A ciência, por vezes, não tem o alcance dos sentimentos e das sensações, por isso é praticamente impossível definir a etnografia sobre o caboclo do Amazonas. Por esse mesmo motivo, também corremos o risco de não conseguirmos transmitir o que conseguimos compreender. Pessoas de grandes centros urbanos, como nós, talvez não conheçam o valor da natureza, mas podem sentir na alma sua descoberta.

O Amazonas esconde em sua imensa floresta riquezas incalculáveis que talvez o homem jamais conhecerá. Essa floresta não é só dona de um mistério indescritível, que atrai olhares e fascina o mundo inteiro, essa floresta abriga um povo de cultura extraordinária.

O povo do Amazonas, este que poucos têm o privilégio de conhecer, é dotado de uma força tão grande quanto sua própria floresta. 

O caboclo, que tem sua pele morena, pois seu teto é o céu, sua luz é a do sol e da lua, seu trabalho tem a parceria da natureza, sua matéria-prima, a mais rica, é a diversidade natural, seu solo é o do Amazonas, sua água é a do rio, sabe o valor do trabalho, sabe o valor e a riqueza da natureza e sabe também que se não houver mais água, ou, cipó, ou peixe, ou solo e, por que não, o céu, Também não haverá mais vida.

“O conhecer, o saber, o viver e o fazer na Amazônia colonial foi um processo predominantemente indígena. Os ameríndios que iniciaram essa ocupação e os seus descendentes caboclos (...) desenvolveram as suas matrizes e os seus valores a partir do íntimo contato com o ambiente físico e biológico.” 

BENCHIMOL, S. Amazônia – Formação Social e Cultural. Manaus: Editora Valer, Universidade do Amazonas, 1999, p. 450